A intenção deste blog é facilitar o acesso de todos os que se interessam por filosofia e servir de apoio,como material
didático, aos meus alunos.

terça-feira, 30 de março de 2010

Mito da Caverna. Uma Interpretação Existencial

Uma interpretação Existencial do Mito da Caverna

Somos ávidos por respostas. Nossas perguntas têm um único objetivo: obter as respostas. A resposta nos dá a segurança almejada, o apaziguamento do nosso espírito, o fim das nossas inquietações. Suprimimos os fundamental - o questionamento - e enclausuramo-nos na aquietadora resposta. Com ela teremos uma orientação, um caminhom para o nosso percurso.

A Filosofia, nesse sentido, sempre foi perturbadora. Embora preocupada com as respostas, querendo atingí-las, sempre privilegiou as perguntas, o questionamento. E o questionamento perturba, abala o que é, o que está constituído pela resposta já dada.

O indivíduo maduro intelectualmente é aquele que estabeleceu as respostas, retirou os questionamentos, as contradições, os conflitos. Já está cercado das "verdades" que o bom senso, o consenso, os seus pares, o seu grupo social, a maioria estabeleceram. Consolidou-se. Perdeu a inquietude, para manter-se na serenidade. Amadureceu, mas cristalizou o seu espírito...

Contrariamente ao espírito infantil, que tudo quer saber, questionar, o ser maduro é o que se apaziguou, se inseriu num sistema de verdade.

Já reparam como as perguntas mais embaraçosas, são as perguntas das crianças? A pergunta infantil desequilibra, pois é mais radical. Toca em questões que nós já "esquecemos", pois já a consideramos como estabelecidas.

Somos forjados a acreditar que o que é estabelecido pela maioria deve estar correto. Mas, como alguém já disse: "Uma tolice, embora dita por uma maioria, ainda assim, é uma tolice"

Somos forjados por diversos poderes: o poder da mídia, da moda, dos foramadores de opinião, dos mais vendidos, dos mais aceitos etc etc. Pensamos sermos autênticos, quando o máximo que conseguimos é ficarmos inseridos em algum consenso apaziguador da nossa inquietude. Mantemo-nos numa "inteligência de rebanho", propiciando-nos a sermos manipulados e nos consideramos uma elite pensante...

Sim, a Filosofia é perturbadora, pois assim como o espírito infantil, a inquietação,o assombro está na sua origem.

Perguntar, questionar...A resposta suprime, só a pergunta é criativa.

Necessitamos conhecer, mas conhecer pela raiz. E a Filosofia se dá, antes de tudo, por esta reflexão crítica radical. E, para sermos radicais, precisamos extrapolar o estabelecido, romper os "grilhões", abandonar "a caverna". Inseridos, somos levados a tomar como "objetos reais" o que são apenas "sombras".

Romper com os estereótipos, os clichês, demanda esforço, incompreesão, às vezes, sofrimento. Foi assim, ao longo da história, com todos aqueles que estavam fora de seu tempo.

Maturidade intelectual não é sinônimo de ausência de confito, mas um penetrar mesmo na tensão da vida. Um belo caminhar por esta tensão. Afinal, os melhores sons surgem das cordas mais tensas...

Uma nova luz, ofusca num primeiro momento, num segundo momento, pode iluminar um novo caminho...

L.A.

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