A intenção deste blog é facilitar o acesso de todos os que se interessam por filosofia e servir de apoio,como material
didático, aos meus alunos.

sábado, 23 de junho de 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

Linguagem, Pensamento e Cultura



Do Livro: Filosofando,
Maria Lúcia de A.Aranha

Linguagem, Pensamento e Cultura



Do Livro: Filosofando,
Maria Lúcia de A.Aranha

quarta-feira, 7 de março de 2012

Os Princípios Racionais


OS PRINCÍPIOS RACIONAIS


                Desde os seus começos a Filosofia considerou que a razão opera seguindo certos princípios que ela mesmo estabelece e que estão em concordância com a própria realidade. Ou seja, o conhecimento racional obedece a certas regras ou leis fundamentais e nós as respeitamos porque somos seres racionais e porque são princípios que garantem que a realidade é racional.


1.      Princípio de Identidade

Cujo enunciado pode parecer surpreendente: “A” é “A” ou  “O que é, é”. O princípio de identidade é a condição do pensamento e sem ele não podemos pensar. Ele afirma que uma coisa, seja ela qual for (um ser da Natureza, uma figura geométrica, um ser humano, uma obra de arte, uma ação), só pode ser conhecida e pensada se for percebida e conservada com sua identidade.

O princípio de identidade é a condição para que definamos as coisas e possamos conhecê-las a partir de suas definições.


2.      Princípio da não-contradição (também conhecido como princípio da contradição)

Cujo enunciado é: “A é A e é impossível que seja, ao mesmo tempo e na mesma relação não-A”. Assim, é impossível que a árvore que está diante de mim seja e não seja uma mangueira. Sem o princípio da não-contradição, o princípio da identidade não poderá funcionar. O Princípio da não-contradição afirma que uma coisa ou uma idéia que se negam a si mesmas se autodestroem, desaparecem, deixam de existir. Afirma, também, que as coisas e as idéias contraditórias são impensáveis e impossíveis.  


3.      Princípio do terceiro-excluído

Cujo enunciado é: Ou A é x ou é y e não há terceira possibilidade. P. ex. “Ou este homem é Sócrates ou não é Sócrates”. Este princípio define a decisão de um dilema – “ou isto ou aquilo”- e exige que apenas uma das alternativas seja verdadeira. Mesmo quando temos, p.ex., um teste de múltipla escolha, escolhemos na verdade entre duas opções – “ou está certo ou está errado”- e não há terceira possibilidade ou terceira alternativa, pois entre várias escolhas possíveis, só há realmente duas, a certa ou a errada.


4.      Princípio da razão suficiente

Que afirma que tudo o que existe e tudo o que acontece tem uma razão (causa ou motivo) para existir ou para acontecer, e que tal razão (causa ou motivo) pode ser conhecida pela nossa razão. O princípio da razão suficiente costuma ser chamado princípio de causalidade para indicar que a razão afirma a existência de relações ou conexões internas entre as coisas, entre fatos, ou entre ações e acontecimentos.

Pode ser enunciado da seguinte maneira: “Dado A, necessariamente se dará B”. E também: “Dado B, necessariamente houve A”.

Isso não significa que a razão não admita o acaso ou ações e fatos acidentais, mas sim que ela procura, mesmo para o acaso e para o acidente, uma causa.

A diferença entre a causa, ou razão suficiente, e a causa casual ou acidental está em que a primeira se realiza sempre, é universal e necessária, enquanto a causa acidental ou casual só vale para aquele caso particular, para aquela situação específica, não podendo ser generalizada e ser considerada válida para todos os casos ou situações iguais ou semelhantes, pois, justamente, o caso ou a situação são únicos.

A morte, p.ex., é um efeito necessário e universal (válido para todos os tempos e lugares) da guerra e a guerra é a causa necessária e universal da morte de pessoas. Mas é imprevisível ou acidental que esta ou aquela guerra aconteçam. Podem ou não podem acontecer. Nenhuma causa universal exige que aconteçam. Mas, se a guerra acontecer, ela terá necessariamente causas (mesmo as mais absurdas e inaceitáveis) e, se ela acontecer, terá necessariamente como efeito mortes. Mas as causas dessa guerra são somente as dessa guerra e de nenhuma outra.

Diferentemente desse caso, o princípio da razão suficiente está vigorando plenamente quando, p. ex., Galileu demonstrou as leis universais do movimento dos corpos em queda livre, isto é, no vácuo.

Podemos observar que os princípios da razão suficiente apresentam algumas características importantes:

A)    Não possuem um conteúdo determinado, pois são formas: indicam como as coisas devem ser e como devemos pensar, mas não nos dizem quais coisas são, nem quais os conteúdos que devemos ou vamos pensar.

B)     Possuem validade universal, isto é, onde houver razão (nos seres humanos e nas coisas, nos fatos e nos acontecimentos), em todo tempo e em todo lugar, tais princípios são verdadeiros e empregados por todos (os humanos) e obedecidos por todos (coisas, fatos, acontecimentos).

C)    São necessários, isto é, indispensáveis para o pensamento e para a vontade, indispensáveis para as coisas, os fatos, os acontecimentos. Indicam que algo é assim e não pode ser de outra maneira.

Necessário significa: é impossível que não seja dessa maneira e que pudesse ser de outra.


Fonte: Texto da professora Marilena Chauí, livro: Convite à Filosofia

Os Princípios Racionais


OS PRINCÍPIOS RACIONAIS


                Desde os seus começos a Filosofia considerou que a razão opera seguindo certos princípios que ela mesmo estabelece e que estão em concordância com a própria realidade. Ou seja, o conhecimento racional obedece a certas regras ou leis fundamentais e nós as respeitamos porque somos seres racionais e porque são princípios que garantem que a realidade é racional.


1.      Princípio de Identidade

Cujo enunciado pode parecer surpreendente: “A” é “A” ou  “O que é, é”. O princípio de identidade é a condição do pensamento e sem ele não podemos pensar. Ele afirma que uma coisa, seja ela qual for (um ser da Natureza, uma figura geométrica, um ser humano, uma obra de arte, uma ação), só pode ser conhecida e pensada se for percebida e conservada com sua identidade.

O princípio de identidade é a condição para que definamos as coisas e possamos conhecê-las a partir de suas definições.


2.      Princípio da não-contradição (também conhecido como princípio da contradição)

Cujo enunciado é: “A é A e é impossível que seja, ao mesmo tempo e na mesma relação não-A”. Assim, é impossível que a árvore que está diante de mim seja e não seja uma mangueira. Sem o princípio da não-contradição, o princípio da identidade não poderá funcionar. O Princípio da não-contradição afirma que uma coisa ou uma idéia que se negam a si mesmas se autodestroem, desaparecem, deixam de existir. Afirma, também, que as coisas e as idéias contraditórias são impensáveis e impossíveis.  


3.      Princípio do terceiro-excluído

Cujo enunciado é: Ou A é x ou é y e não há terceira possibilidade. P. ex. “Ou este homem é Sócrates ou não é Sócrates”. Este princípio define a decisão de um dilema – “ou isto ou aquilo”- e exige que apenas uma das alternativas seja verdadeira. Mesmo quando temos, p.ex., um teste de múltipla escolha, escolhemos na verdade entre duas opções – “ou está certo ou está errado”- e não há terceira possibilidade ou terceira alternativa, pois entre várias escolhas possíveis, só há realmente duas, a certa ou a errada.


4.      Princípio da razão suficiente

Que afirma que tudo o que existe e tudo o que acontece tem uma razão (causa ou motivo) para existir ou para acontecer, e que tal razão (causa ou motivo) pode ser conhecida pela nossa razão. O princípio da razão suficiente costuma ser chamado princípio de causalidade para indicar que a razão afirma a existência de relações ou conexões internas entre as coisas, entre fatos, ou entre ações e acontecimentos.

Pode ser enunciado da seguinte maneira: “Dado A, necessariamente se dará B”. E também: “Dado B, necessariamente houve A”.

Isso não significa que a razão não admita o acaso ou ações e fatos acidentais, mas sim que ela procura, mesmo para o acaso e para o acidente, uma causa.

A diferença entre a causa, ou razão suficiente, e a causa casual ou acidental está em que a primeira se realiza sempre, é universal e necessária, enquanto a causa acidental ou casual só vale para aquele caso particular, para aquela situação específica, não podendo ser generalizada e ser considerada válida para todos os casos ou situações iguais ou semelhantes, pois, justamente, o caso ou a situação são únicos.

A morte, p.ex., é um efeito necessário e universal (válido para todos os tempos e lugares) da guerra e a guerra é a causa necessária e universal da morte de pessoas. Mas é imprevisível ou acidental que esta ou aquela guerra aconteçam. Podem ou não podem acontecer. Nenhuma causa universal exige que aconteçam. Mas, se a guerra acontecer, ela terá necessariamente causas (mesmo as mais absurdas e inaceitáveis) e, se ela acontecer, terá necessariamente como efeito mortes. Mas as causas dessa guerra são somente as dessa guerra e de nenhuma outra.

Diferentemente desse caso, o princípio da razão suficiente está vigorando plenamente quando, p. ex., Galileu demonstrou as leis universais do movimento dos corpos em queda livre, isto é, no vácuo.

Podemos observar que os princípios da razão suficiente apresentam algumas características importantes:

A)    Não possuem um conteúdo determinado, pois são formas: indicam como as coisas devem ser e como devemos pensar, mas não nos dizem quais coisas são, nem quais os conteúdos que devemos ou vamos pensar.

B)     Possuem validade universal, isto é, onde houver razão (nos seres humanos e nas coisas, nos fatos e nos acontecimentos), em todo tempo e em todo lugar, tais princípios são verdadeiros e empregados por todos (os humanos) e obedecidos por todos (coisas, fatos, acontecimentos).

C)    São necessários, isto é, indispensáveis para o pensamento e para a vontade, indispensáveis para as coisas, os fatos, os acontecimentos. Indicam que algo é assim e não pode ser de outra maneira.

Necessário significa: é impossível que não seja dessa maneira e que pudesse ser de outra.


Fonte: Texto da professora Marilena Chauí, livro: Convite à Filosofia

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012